ROUBADOS NO MÉXICO

Quando saimos de “Chichen Itzá” já percebemos que a história de ilha da fantasia havia acabado, entramos na realidade de rodar pelo México, pedágios caros, “check points” policiais, mas tudo sob controle, até então… Nossa primeira parada foi a simpática Izamal, uma pequena cidade colonial, com aquela pracinha feita para tomar uma “paleta mexicana”, e tomamos várias, por 10 Pesos Mexicanos cada (R$1,50) contemplando a beleza do “Convento Santo Antonio de Pádua”, a cidade toda amarelinha… um bom começo, a sensação de conhecer o méxico de verdade era muito boa.

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Passamos rapidamente por Mérida e entramos no Estado de Campeche, as zonas arqueológicas estavam por ali também e muitas foram as recomendacões para conhecermos, já que estão mais afastadas e menos turisticas , mas escolhemos seguir direto para a Cidade de Campeche, capital do estado. Para defender a cidade dos piratas foi construida uma muralha , que até hoje perdura, e o que encontramos foi uma cidade linda, cheia de história, com um mercado municipal colorido e animado. A orla é simpática, mas a arquitetura do “Centro Histórico” sem dúvida é o que mais chama a atenção.

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Nesta cidade, totalmente por acaso, encontramos um simpático casal que havíamos conhecido em Quintana Roo, eles nos convidaram para passar na casa deles que estava no caminho do nosso próximo destino, que seria Palenque, estávamos com Andrea e Lola, os italianos, e no momento todos nós aceitamos, logo depois Andrea viu num mapa uma ponte no Golfo e disse que queria conhecer, Sérgio concordou em ir também, mas para isso tínhamos que mudar a rota e não passar nos amigos… meu sexto sentido  dizia para não mudarmos a tal rota… três contra um, acabamos mudando a rota, seguimos sentido “Villa Hermosa” para ver a tal ponte que passava por cima de um braço de mar. O caminho era horroroso e só foi piorando, a tal ponte era bem sem graça e ainda estava em reforma, e logo entre risos, todos concordamos que teria sido melhor visitar os amigos.

No final da tarde chegamos em Villa Hermosa, que de “hermosa” não tinha nada, estacionamos no Walmart e quando entrei numa lanchonete que havia no estacionamento para usar o banheiro, meu olhar cruzou com o segurança do lugar, tomei um susto imenso, ele tinha uma arma gigante nas mãos e o olhar dele me deu um frio na espinha, senti uma coisa muito ruim e sem explicação, outro sinal, cheguei no carro e falei que não gostaria de ficar ali… mas for fim, ficamos.

Entramos no mercado, fizemos compras e combinamos fazer um jantar no caminhão deles. Guardamos as compras, pegamos algumas coisas para cozinhar e eu levei o tablet para vermos a rota do outro dia. Jantamos, conversamos e de repente escutarmos um ruido estranho que vinha do lado de fora. Sérgio olhou e viu um carro estacionado ao lado do nosso, que estava exatamente ao lado do caminhão, aparentemente tudo ok. Depois de algum tempo nos despedimos e descemos, quando olhei para o chão, vi o rádio comunicador do Andréa que estava no nosso carro, pensei… Olha o que vocês derrubaram aqui! Antes que eu falasse olhei para o lado e vi o vidro do carro espatifado no chão.

Abrimos o carro e estava tudo revirado, os eletrônicos todos haviam sido levados (salvo o tablet que na última hora foi comigo e uma pequena máquina fotográfica que estava numa capinha de tecido e ficou jogada no piso do carro, esta sobrevivente do outro roubo também) levaram mais um montão de coisas que com o decorrer dos dias fomos descobrindo. O Sérgio transtornado gritava como um louco, o Andrea pegava pelos colarinhos um pobre homem que tentava abrir o próprio carro estacionado perto do nosso com um arame porque havia perdido a chave, Lola em choque parada olhando para o vidro quebrado e eu entrei como um zumbi no mercado à procura de um plástico para colocar no lugar do vidro.

Apareceu o gerente do mercado e Andrea sugeriu que chamássemos a polícia ,  perguntou por câmeras e o gerente disse que não havia câmeras, já foi logo dizendo: Melhor não chamar a policia que vão tentar tirar dinheiro de vocês! Nessa hora começou a chover e o que nos restou foi sair dali e estacionar num Pemex (Rede de Postos de Combustível) um rapaz muito simpático nos deixou dormir por lá e avisou que na frente haviam “algumas lojas de vidros automotivos”. Nossa que sorte, algumas lojas…

No outro dia cedo, escolhemos a menos “boca de porco” e fomos, o homem cortou três vidros para conseguir fazer um bem mais ou menos, ainda vendeu um espelho do retrovisor para o caminhão do Andrea (o dele era original e estava trincado) que caiu inteiro no outro dia. Só para confirmar perguntamos porque tantas lojas de vidros juntas, ele respondeu o que imaginavamos… por dia, três ou quatro vítimas de roubo chegam aqui! Fazendo as contas que devia ter mais umas cinco ou seis lojas iguais na vizinhança… Lugar excelente esse que estávamos.

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Aproveitando o tempo parados ali, eu e Lola fomos ao supermercado que havia do outro lado da avenida para comprar outras coisas que haviam roubado, as coisas das bolsinhas de higiene, pasta de dente, escova, shampoo, sabonete, pente… quando passávamos no caixa a moça perguntou: Vocês não são daqui? Respondemos: Não. Ela: Chegaram quando? Nós: Ontem à noite. Ela: Cuidado para não serem roubadas… Nós : Já fomos! Caimos as três na risada.

Vidro meia boca ajeitado, caimos na estrada em direção à Palenque (Chiapas) e a impressão do México já tinha azedado, nada tinha muita graça, somente passamos pela cidade, que aliás é bem legalzinha. Andrea e Lola foram às ruinas e nós ficamos no camping contabilizando o prejú e remoendo o que tínhamos ido fazer naquela maldita ponte horrorosa.

No outro dia seguimos viagem, seguimos por Chiapas, essa é zona do Movimento Zapatista, grupo armado de indígenas e de campesinos anarco-sindicalistas que lutam por seus direitos, porém, como muitos outros grupos de movimentos sociais que conhecemos muito bem, perderam suas verdadeiras raizes e confundem reinvidicar direitos para uma sociedade mais justa com desordem, ignorância, intolerância e violência.

Quando menos esperávamos fomos parados num bloqueio zapatista na estrada, todos encapuzados, com paus , foices, pedras e uma placa dizendo que estavam arrecadando dinheiro para soltar um fulano da cadeia. Uma arquibancada de indigenas observando a arrecadação e uma madeira cheia de pregos enormes no chão.

Quatro homens chegaram no carro, explicaram o que queriam e nós falamos que haviamos sido roubados e que não tinhamos dinheiro e um dos homens gritou pelo “cacique”. Enquanto isso um adolescente tentava abrir a porta do passageiro atrás de mim, a do vidro meia boca, sem pensar eu dei um grito com ele e todos me olharam. Nessa hora um deles falou: Se eles não tem dinheiro pega o óculos de sol dela… Ahhh então eles iam pagar a fiança do cidadão com meus óculos?

O tal cacique encostou no carro, de novo explicamos que havíamos sido roubados e falamos que tínhamos algumas coisas de comer, se ele aceitava? Ele disse que sim, o mais rápido que pude me virei e peguei as primeiras coisas que vi. Quando dei um pacote com arroz e dois pacotes de bolacha a “galera da arquibancada toda gritou e aplaudiu”. O Sérgio saiu muito bravo e eu disse: dá para acreditar nisso? Ele gritou: Eu que não acredito em você com tanta coisa pra dar para esse indio foi dar logo o pacote de arroz parbolizado que eu tanto gosto! Depois disso nunca mais achamos arroz parbolizado para comprar no México.

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Ficamos bem chateados com essa sequência de acontecimentos, por causa do arroz inclusive… rsss… mas não poderíamos deixar nos influenciar, já havíamos conhecido tanta gente boa, havíamos visto tantas coisas lindas e tínhamos muitas expectativas no México, não queríamos estragar esse momento da viagem. A impressão é implacável, nós brasileiros também temos nossa fama, alguns nos amam, outros nos odeiam, nos julgam por experiências que viveram ou não, muitos simplesmente acham. Quando falamos de Colômbia pensamos logo em narcotráfico sendo que a grande maioria das pessoas que vivem no país nunca viram cocaina na frente, temos que tomar cuidado ao generalizar ou julgar e nos preocuparmos muito mais com impressão que deixamos de nós mesmos,  que esta também é implacável.

Como poderíamos achar que não temos sorte porque fomos roubados, essas fotos mostram que podemos nos sentir os mais sortudos do mundo, porque estamos onde queremos estar, fazendo o que queremos fazer, sendo quem realmente somos, de chinelo, roupa velha e descabelados, livres e felizes, com saúde, alegria e sorriso no rosto, perdemos coisas mas ganhamos muitas chances de aprender e agradecer. Com um pouquinho mais de precaução e ouvindo mais nossas intuições temos que dar valor aos presentes que ganhamos e nem nos damos conta, esse foi um deles, “Cascadas de Agua Azul” , isso é México.

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4 Comentários

  1. Queridos amigos que aventura orgulho imenso de vcs

  2. Reginaldo Oliveira

    setembro 25, 2017 at 4:29 pm

    vcs são meus heróis !!!! estão realizando o sonho de 150% daqueles que querem apenas viver a vida e dela levar a vida que levou !!! parabéns !!! eu e minha família nos sentimos orgulhosos de poder ter a oportunidade de ler tamanha façanha e ver fotografias que corroboram com essa verdadeira experiência de vida !!! PARABÉNS !!!

    • Projeto Mundo Cao

      setembro 30, 2017 at 9:23 pm

      Poxa Reginaldo… que legal e que satisfação que gostam da gente e do que fazemos!

      Esse sonho pode ser realizado por todos… basta apenas planejar a vida!!!

      Um grande abraço!!!

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